FORMAÇÃO DE GESTORES INDÍGENAS


Em 1999, quando foi publicada a Lei n. 9.836, de autoria do Prof. Dr. Sérgio Arouca, que  instituiu o subsistema de atenção à saúde dos povos indígenas, atualmente denominado SASISUS, a EPM/UNIFESP, por indicação das lideranças indígenas xinguanas, assumiu a  atenção básica e a formação de recursos humanos no Distrito Sanitário Especial Indígena   do Xingu (DSEI Xingu), mediante convênio com a FUNASA.

A implantação do sub-sistema, embora tenha uma longa história de luta no âmbito da  reforma sanitária, é bastante recente e ainda está se consolidando. Vários instrumentos de trabalho estão sendo definidos e pactuados. Trata-se de um processo em construção, que padece de uma articulação frágil e fragmentada ao sistema único de saúde – sus, no plano regional e nacional levando a uma baixa resolutividade dos problemas.

Na área da saúde a dimensão política e gerencial do processo de trabalho vêm adquirindo dimensões até então impensadas, a carência de profissionais preparados é evidente no cotidiano dos serviços e a formação de profissionais, na área de gestão, torna-se o grande desafio.

Agrega-se a estas particularidades a relação intercultural que permeia o ambiente de  trabalho na saúde indígena. A convivência entre o sistema oficial de saúde e os sistemas  tradicionais de cura gera diferentes demandas e, conseqüentemente, outras estratégias de abordagem dos problemas de saúde e da própria organização dos serviços. Formar profissionais indígenas para o gerenciamento e a gestão em saúde, colaborando para a estruturação do sub-sistema de atenção à saúde indígena e para o aumento do   protagonismo dos próprios índios, coloca-se como prioridade no trabalho de formação do Projeto Xingu.

Em 2003 o Projeto iniciou o I Curso de Gestão em Saúde Indígena para 27 alunos,  indígenas do Parque do Xingu. Entre os alunos estavam presentes auxiliares de   enfermagem, professores, diretores de projetos de associações, lideranças e conselheiros de saúde. A estrutura do curso é modular, com períodos de concentração e dispersão, e tem se caracterizado pela construção coletiva do currículo, a partir da realidade e dos problemas enfrentados na vivência quotidiana da gestão em saúde. Foram realizados módulos cujos temas centrais foram respectivamente, políticas públicas, controle social, planejamento e administração.

Esta proposta pode ser a chave para a uma gestão diferenciada e participativa no âmbito  do subsistema de saúde indígena. Leia mais...